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Volume 47a SBPC                       Informativo Acta                       Fevereiro 1998

Fundador:

Selísio Santiago Freire

 

Trabalho publicado nos anais da 47ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

(Julho de 1995)

Título do trabalho: "Meliponicultura Racional no Nordeste e na Amazônia Brasileira", vista como uma das atividades que poderá prestar grande parcela de colaboração ao desenvolvimento socio-econômico sustentado e na maior integração dessas regiões, com a vantagem de ser tecnologia simples e preservacionista, já parcialmente do domínio dos povos que aqui habitam.
Autor: Selísio Santiago Freire -Engo. Civil e Apicultor.
Endereço: Rua do Desenho, quadra 11, casa 03, COHAFUMA, São Luís - Ma. cep. 65.070 - 170. fone: (098) 246 2522.

RESUMO

01.00 - O Autor mantém em São Luís, margem direita do Rio Anil, coordenadas geográficas: (GPS) 2o 30’ 34" S ; 44o 15’ 51" W, nos fundos e lateral direta, de terreno urbano cujas medidas são 15m X 25m, ocupando área inferior a 35m2, um meliponário com 250 colônias de abelhas sem ferrão, a Melipona compressipes fasciculata Smith (Hymenoptera: Apidae), conhecida no Maranhão pelo nome de "Tiúba" e em outros Estados do norte como "Jandaíra da Amazônia".
02.00 - Considerando nessa área, dentro do raio "ótimo" de 2 km, a existência de ruas asfaltadas, praças e prédios, as abelhas têm como pasto apícola "rareado", a área de 12,57 km2 , que corresponderá em floresta amazônica, no máximo, a 6,3 km2 (50% da área considerada, que é urbana).
03.00 - Conforme essa experiência e outras desenvolvidas e participadas pelo Autor, em outras localidades do Maranhão e Estados do Nordeste e ainda guardando as devidas proporções, na área da Amazônia Brasileira, de 3.900.000 km2, comportaria com folga mais de 619.000 meliponários, desses que aqui temos em São Luís.

04.00 - Essa abelha é grande produtora de "geoprópolis", que corresponde à "própolis" da ápis, com as mesmas funções: vedação, estrutural e antibiótica. Uma colônia média, que é aquela que tem 6 favos de cria, produz pôr ano, fazendo-se coleta mensal, o mínimo de 1,1 kg, chegando até a 21,6 kg, usando a técnica de produção incentivada do Autor, que consta do aumento milimétrico diário, da folga tampa/alça, com a utilização de 3(três) parafusos dotados de "esbarro" e "borboleta", que a eles são dadas 1/4 de volta. O preço de venda, no mercado internacional, da própolis de outras regiões, alcançam valores que variam entre R$ 27,30 e R$ 45,50/kg. A do Brasil (MG), está sendo comercializada no Japão a R$ 91,00/kg ( agrofolha de 28/02/1995).
05.00 - A produção de mel da "Tiúba" em São Luís é da ordem de 1,5 kg pôr colônia média ano, chegando a atingir mais de 3 kg em outras regiões maranhenses. Esse mel, pela sua excelente qualidade e que apresenta percentual de sacarose próximo de zero, alcança preço que ultrapassa o dobro do preço do mel da Apis. Pelo seu maior teor de ácido, ele apresenta menor densidade (1,27 contra 1,42 do da ápis), sendo elaborado pôr uma abelha autóctone de região onde está contida a maior biodiversidade do planeta e que conta com milhões de anos de adaptação. Esse mel, está sendo comercializado na região a mais de R$ 4,00/kg.
06.00 - Com relação ao pólen, a maior vantagem está no fato de ser possível a coleta do mesmo após a sua pré-digestão pelas abelhas, que o deposita em favos gigantes (>14 cm3 ), proporcionando assim um pólen com maior digestibilidade e portanto de melhor qualidade, sem o uso do caça-pólen, que de certa forma maltrata as abelhas. O volume de produção, pôr colônia média e pôr ano, é da ordem de 0,6 kg em São Luís, podendo chegar a mais de 1,2 kg, em outras regiões do Maranhão. O seu preço ultrapassa R$ 40,00/kg.
07.00 - A cera de "Tiúba" está sendo vendida a razão de R$ 6,00/kg e a produção atinge 0,4 kg pôr colônia média e pôr ano.
08.00 - As colônias médias estão sendo comercializadas no Maranhão, a R$ 87,00, sendo seu preço composto da seguinte forma: R$ 13,00/favo de cria X 6 favos de cria pôr colônia média, somados ao valor da "caixa semi-racional padrão" que é de R$ 9,00.09.00 - A formação de plantel, como atividade principal que poderá ser adotada no campo, sem a artificialidade do laboratório, tem apresentado o seguinte resultado médio: uma colônia média gera 5(cinco) outras colônias médias pôr ano.
10.00 - Conforme exposto, um meliponário com 250 colônias médias poderá render pôr ano, a preços de matéria prima, sem outros custos agregados de industrialização, uma receita bruta média, correspondente a mais de R$ 115.000,00, o que corresponderia a geração de mais de 95 empregos diretos, com salário de R$ 100,00/mês.
11.00 - Com relação a Amazônia Brasileira, poderíamos ter:
11.01 - Geração de receita bruta anual direta: Mais de R$ 71.000.000.000,00 (setenta e um bilhões de reais/ano);
11.02 - Geração de empregos diretos, de R$ 100,00/mês: Mais de 59.000.000 ( cinqüenta e nove milhões).
12.00 - Outras vantagens: 01- Maior conservação da diversidade biológica, protegendo os ecossistemas, conservação para além dos parques, viver melhor com a diversidade, melhoria da saúde das populações, criação de empregos sustentáveis, maior preservação dos recursos renováveis, o fortalecimento da política ambiental do planeta, proteção das áreas de usos comuns, melhor administração ambiental, aumento da produção de alimentos, exploração econômica de ecossistemas, sustento nas terras de propriedade comum, ganho dos recursos florestais, maior apoio aos povos indígenas, reconciliar o comércio com o meio ambiente, caminhar mais rápido em direção de uma estratégia industrial verde e com mais solidariedade entre as pessoas.

Selísio Santiago Freire - Engenheiro Cívil - Crea/CE 1311/D
Consultoria em Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Saneamento
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