Rio Itapecuru     

                   Bacia Hidrográfica

O RIO ITAPECURU E A NAVEGAÇÃO

 Até o inicio do século XX, o rio Itapecuru era a principal via de escoamento da produção regional. Sua importância a nível estadual era grande devido ao fato de ser o canal de transporte de produtos do interior até a capital. Com a construção da estrada de ferro São Luís x Terezina na década de vinte, paralela ao rio e posteriormente com o asfaltamento da BR-316 na década de sessenta, o rio perdeu esta função.

 A navegação a vapor nesse rio estendia-se de São Luís até Caxias. Daí por diante (trecho de pequenas corredeiras) a navegação se fazia de lanchas até Colinas.

 O primeiro obstáculo à navegação da foz à nascente é a cachoeira de Vera Cruz, só transposta em preamar. Daí se estende, na baixada, uma larga zona, até Itapecuru -Mirim, francamente navegável. À montante da cidade de Itapecuru, entra a zona crítica dos “secos”, que dificulta seriamente a navegação

 A navegabilidade também se tornou prejudicada pela formação de bancos de areia, resultante do assoreamento que obstruía os principais canais, dificultando a passagem de embarcações de tamanho médio, principalmente no período de estiagem ou baixa-mar.

 Jerônimo de Viveiros, em  A História do Comércio do Maranhão”, diz que Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, em plena Balaiada (1840), reconhecendo a necessidade da navegação fluvial para jugular a revolução, pediu à Assembléia privilégios de vinte anos à companhia que quisesse explorar a navegação. Somente em 1849, o legislativo maranhense resolveu estimular a iniciativa privada, autorizando um vultuoso empréstimo sem juros a quem fizesse a navegação a vapor no Rio Itapecuru, sendo Caxias o ponto terminal da linha e Rosário, Itapecuru -Mirim, Coroatá e Codó portos de escala.

 Requereu a concessão a casa comercial de Domingos da Silva Porto, já a beira da falência, que importou o navio “Caxiense” de quarenta cavalos de força. Nos primeiros dias do mês de maio do ano de 1849, chegou a Rosário o navio a vapor, o gaiola "Caxiense", da Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão, que fazia a viagem inaugural de São Luís a Caxias, iniciando assim um período de comunicação e comércio mais intenso da capital da província ao interior. Navegou apenas dois anos, e, imprestável, foi encostado. Em 1855 o contrato foi rescindido.

 Teixeira Mendes organizou, com as firmas Leite & Irmãos e José Pedro dos Santos & Irmão a Empresa de Navegação a Vapor dos Rios do Maranhão e firmou contrato em 1856 com o Governo da Província.

 O primeiro trecho, de São Luís a Rosário, era feito por navios de setenta a cem cavalos de força e o segundo, de Rosário a Caxias, por vapores de quarenta a cinqüenta. Teixeira Mendes foi buscar na Europa o primeiro navio da Companhia, chamado “Pindaré”.

 A Companhia prosperou, e em 1870 já possuía nove vapores, sendo o de maior comprimento o chamado “Maranhão” com 176 pés e capacidade apenas 150 toneladas. O de maior capacidade era o Gurupi, com 156 pés de comprimento e capaz de transportar 411 toneladas.

 A linha costeira do Rio Itapecuru foi de longe a mais rentável em relação as outras seis linhas.

 Toda a industrialização das cidades ribeirinhas no inicio do século vinte, utilizou o rio para transportar as máquinas. Vinham caldeiras, teares, roldanas, polias, prensas e todos os componentes importados da Inglaterra. Eram utilizados batelões puxados por resistentes navios gaiolas.

 Os vapores mais conhecidos foram: "São Pedro", "Rui Barbosa", "Gomes de Castro", "São Salvador", "Ipiranga", "O Maranhense", "São Paulo", "Santo Antônio", "Carlos Coelho" e "Balão". O "Gomes de Castro", foi um dos primeiros a navegar nas águas do Rio Itapecuru. Anos depois, o "O Maranhense" naufragou adiante do porto da Gameleira, tendo sido trazido para a cidade de Codó, uma de suas partes, pelo conceituado médico da cidade, Dr. José Anselmo de Freitas. Destino igual ao "O Maranhense", tiveram também "Carlos Coelho" que naufragou em águas do rio Mearim, e o "São Salvador", que transportara o presidente Afonso Pena, quando de sua viagem até Caxias, naufragou num lugar chamado Caixeira, no município de Rosário, anos depois.

 A navegação no Rio Itapecuru marcou uma época em nossa história, trazendo o desenvolvimento ao interior do estado. Hoje, diferente do passado, o rio é visto pela população maranhense como fonte estratégica de água, para os centro urbanos, principalmente para os moradores da Ilha de São Luís.

 O professor Jacques Medeiros externou muito bem a preocupação que todos temos em relação ao manancial abastecedor que fornece 2 m³/s de água para Capital,  especialmente quando o Governo do Estado pretende retirar mais 7 m³/s  para as industrias.

 Se pretendemos explorar ainda mais suas águas, devemos cuidar de toda bacia hidrográfica criando os comitês de bacia e programas de recuperação de áreas degradadas. Só assim poderemos passar aos nossos filhos e netos o que recebemos de nossos pais e avós.

 Raimundo Medeiros

Diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental e Engenheiro da CAEMA

Email: nonaton@elo.com.br