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ALCÂNTARA:
de Tapuitapera
a escudo americano ?
Robson Pereira
“Se me tirarem daqui, é como
se estivessem desmamando uma
criança de 2 anos”
Manoel
Alves de Oliveira-
Manelão, 70.
“Basta
mudar um parafuso, para
um míssil de interesse científico
passar para fins belicoso”
Advogado
da A.E.B
O
município de Alcântara tornou-se conhecido, sobretudo, pelo fato de ali
estar localizada a antiga aldeia de Tapuitapera, elevada à categoria de
Vila, em 22 de dezembro de 1648, com o título de Santo Antônio de Alcântara
e de cidade pela Lei Provincial de 5 de julho de 1836, tendo sido tombada
pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde
1948, pelo notável conjunto arquitetônico e urbanístico seiscentista
que resistiu à ação do tempo.
O
governo do Estado do Maranhão decretou, em 1980, a desapropriação de
uma área de 52 mil hectares para a implantação do Centro
de Lançamento de Alcântara (CLA)
pelo Ministério da Aeronáutica. Esse fato levou o município encontra-se
ameaçado, enquanto unidade federal, com características sócio-cultural-econômicas
diferenciadas, por concentrar um grande número de comunidades negras
oriundas de quilombos, 36 ao todo, autodenominados “terras
de preto”, além das “terras
de pobrezas” de descendentes de índios e “terras
de santo ou santíssimo”.
Nesse
processo, os grupos sociais de Alcântara não foram ouvidos acerca da
instalação do CLA. Mesmo assim, muitos acreditavam na idéia de
desenvolvimento, também social, devido pelo Estado brasileiro àquele
município. No entanto, o projeto não trouxe vantagens aspiradas pelos
cidadãos alcantarenses. Em 1986, após decreto do presidente José Sarney,
reduzindo o módulo rural de 30 para 15 hectares, 312 famílias foram
retiradas de seus antigos povoados onde viviam, secularmente, de suas
lavouras e da pesca, para agrovilas pré-construídas, distantes do
litoral e dos sítios ecológicos.
Acompanhando
uma subcomissão presidida pela deputada federal por São Paulo, Luiza
Erundina, verificamos que as agrovilas são impróprias para o cultivo de
cereais, horticultura e fruticultura, em razão da baixa fertilidade do
solo. Os moradores das agrovilas têm acesso às praias e igarapés,
restringidos pelos militares da base, protagonizando um cenário dentro e
em volta daquelas casas de alvenaria que nada difere dos mais distantes
rincões nordestinos e/ou africanos, isto é, um panorama de fome absoluta.
Essa realidade nos leva a
corrobora com relatórios da SMDH, para quem o projeto de remanejamento
daqueles grupos sociais, basicamente formada por descendestes de
quilombolas e índios, não previu uma estratégia de desenvolvimento
sustentável que compensasse as perdas, no nosso entendimento irrecuperáveis,
em razão do significado sócio-cultural-econômico dos antigos sítios
ecológicos para estes indivíduos
e seus respectivos grupos, além do real discurso recôndito na retórica
dos sistemas de Estado.
Não
satisfeitos com ações políticas de genocídios, e ousamos fazer esta
afirmação, cimentado na idéia de que o governo brasileiro expropriou
remanescentes de quilombos e descendentes indígenas de áreas asseguradas
pela constituição
como deles (grupos sociais), transferindo-os para áreas cujos direitos
elementares como alimentação, lhes são negados. Desestruturou esses
grupos, porque muitos dos seus indivíduos correm para os bolsões de misérias
das grandes cidades, e os que
ficam, sobrevivem, como descreveu Dona Leandra da Agrovila Peptal: “aqui nós estamos passando é fome e um vizinho não pode ajudar o
outro porque, também, não tem o que comer”.
Como
se não bastasse, o ex-presidente Fernando Collor ampliou a área da Base
para 62 mil hectares, o que significa mais da metade do município de Alcântara.
Em 18 de abril de 2000, para evitar o fracasso total do projeto pela ausência
de êxito nos lançamentos de foguetes de intenção científica por parte
do governo brasileiro, mesmo tendo
gasto mais de 500 milhões de dólares no CLA, como denunciou um elenco de
entidades do movimento social do Maranhão, dentre elas o STR de Alcântara
e a FETAEMA,
o governo brasileiro fez acordo com o governo norte americano,
transformando a Base de Alcântara em centro de serviço aberto para lançamentos
de satélites americanos. Destarte, os americanos impõem, nesse contrato,
uma série de restrições ao governo brasileiro e aos brasileiros, no que
se refere a instrumentos científicos e tecnológicos. Os contâiners
e até operações técnicas só
serão manipulados por americanos, em terras brasileiras. Além de
restringir ação nacional dentro do Brasil, o acordo também proíbe que
os brasileiros utilizem o CLA para programas tecnológicos nacionais,
ferindo, profundamente, a Soberania
Nacional.
Restando-nos
perguntar: Qual o real interesse norte-americano em relação ao CLA ?
O GERUR-UFMA tem estudado e discutido a
geopolítica, no que concerne ao acordo antimísseis de controle tecnológico,
de escudos de defesa contra ataques, de controle nuclear, e analisam que
guardam uma relação direta com o Centro de Lançamento de Alcântara.
Isto é, após a guerra fria e o novo cenário de disputa hegemônica (política
e econômica), o CLA tem papel fundamental, principalmente, em relação
à sua geografia estratégica no domínio do Atlântico Sul. Portanto,
mais importante do que discutir como gastar R$ 30 milhões de reais com a
comercialização do da Base de Alcântara é perguntar, em nível
internacional, como a Rússia, que é parceira do Brasil em operações
espaciais, vê o acordo Brasil x USA, no contexto do escudo espacial dos
Estados unidos ?
Recentemente,
assevera o GERUR, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirma
que se os Estados Unidos prosseguirem, por conta, própria na
construção de um escudo de defesa antimísseis sobre seu território e
de seus aliados, a Rússia, eventualmente, atualizará seu arsenal nuclear
estratégico com ogivas múltiplas, revertendo uma conquista do controle
de armas, nas últimas décadas, para assegurar que seria capaz de
sobrepujar tal escudo. Putin disse, ainda, que acha as preocupações
estratégicas da China devem fazer parte do debate, afinal, os chineses
também possuem força no campo dos mísseis nucleares.
E
o Brasil continuara subserviente aos Estados Unidos, e pior cantado
vantagem sobre o acordo ? E o Congresso Nacional votará contra ou a favor
do acordo ? É, porque a discussão
no Congresso, diferente do que alardeou a bancada do Maranhão, não haverá
emendas ao acordo. A votação é sim ou não ao acordo Brasil x Estados
Unidos. E a governadora do Estado continuará lavando as mãos em público
e apoiando o acordo nos bastidores ? E nós continuaremos a pensar que
isso é coisa dos alcantarenses
?
O
advogado da Agência Espacial Brasileira – A E B
- disse, em uma audiência na Ordem dos Advogados do Brasil,
seção Maranhão, que basta trocar um parafuso para que um foguete
deixe de ser interesse científico para ser arma belicosa. Pensamos que
esse advogado deu a senha do que significa a apropriação do CLA pelos
americanos. Ademais, em pouco mais de seis meses, Bush, presidente dos
Estados Unidos, proponente do programa “escudo espacial”, já
incentivou Israel bombardeia os palestinos, já derrubou um avião chinês
em território chinês, provocou a maior catástrofe da história dos
americanos no último dia 11 de setembro próximo passado e imaginem o dia
em que os Bins escolhidos por Bush, como responsáveis pelos atentados em
território americano, escolherem o CLA para um novo boom aos Estados Unidos da América... Aí nós não só perderemos
nossa soberania, seremos como Sr. Manelão, morador de Canelatíua – Alcântara,
desmamados, ou melhor, podemos todos ir para o espaço como escudo
americano.
PRIORIDADE NOS PROCEDIMENTOS JUDICIAIS
Sálvio
Dino de Castro e Costa Junior,
Advogado e pós-graduando em direito processual civil
Modernamente,
o princípio do amplo acesso à justiça previsto no art. 5º, XXXV, da
Constituição Federal representa algo mais que o acesso ao Poder Judiciário.
Representa, sobremaneira, o direito a um pronunciamento judicial célere e
eficaz de modo que o cidadão possa gozar o bem da vida ou receber a
segurança almejada em tempo hábil.
O
legislador federal, imbuído desse espírito, aprovou a Lei n.º
10.173/2001, em vigor desde 9.3.2001, que concedeu prioridade aos idosos
com mais de 65 anos nos procedimentos judiciais em geral quando figurarem
na relação processual como parte ou interveniente.
Trata-se,
com efeito, de medida de política judiciária que possui enorme relevância
social a fim de assegurar que os idosos, com menor capacidade de resistência
e espera em face da idade avançada, venham a receber a tutela estatal
ainda em vida, como forma de compensar a morosidade da Justiça
brasileira.
Ao
lado da iniciativa do legislador federal, faz-se necessária a edição de
novas medidas que, se não têm o condão de resolver tão grave problema
que aflige toda a sociedade, possam minorar seus efeitos diante de situações
extremas.
Por
ocasião do Dia Internacional da Mulher – 8 de março, os jornais
noticiaram a apresentação de projeto de lei de autoria da Deputada
Estadual Helena Barros Heluy em que, aos moldes da lei federal, foi
proposto tratamento prioritário nos procedimentos judiciais quando
envolvidas mulheres vítimas de violência doméstica.
A
proposta possui significativo alcance. De efeito, segundo dados levantados
pela professora da UFMA Lourdes de Maria Leitão Nunes Rocha, em 1998,
cerca de 31,3% dos processos criminais em tramitação no fórum de São
Luís-MA que envolviam violência doméstica resultaram em ausência de
condenação por decurso de prazo prescricional ou decadencial, haja vista
a demora no julgamento.
No
mesmo sentir, o Grupo de Mulheres da Ilha, através da professora Iêda
Cutrim Baptista, informa que apenas 10% (dez por cento) das mulheres vítimas
de violência doméstica denunciam seus algozes, o que reflete completo
descrédito nos aparelhos estatais de repressão aos agressores.
A
violência doméstica, ocorrendo no seio da família, acarreta consequências
das mais drásticas, pois atinge não só a dignidade e a integridade física
da mulher, mas, sobretudo, a formação dos filhos que convivem com agressões
no ambiente familiar.
Por
isso, deve o Estado-Juiz, no cumprimento de sua atividade fim, e em
respeito ao ideal de proteção inscrito na Carta Política (art. 226),
dispor de mecanismos mais eficazes no combate à violência doméstica.
A
multiplicação desses mecanismos foi possibilitada pelo constituinte
originário ao permitir abertamente que o legislador estadual pudesse
intervir em prol da celeridade na tramitação de procedimentos judiciais
através do disposto no art. 24, XI, da CF/88.
O
mencionado dispositivo confere aos Estados competência para legislar
sobre procedimentos em matéria processual concorrentemente com a União e
com o Distrito Federal.
Além
disso, a existência de normas gerais editadas pela União no tocante a procedimentos
em matéria processual não exclui a competência suplementar dos Estados
para afeiçoá-las às peculiaridades locais (art. 24, § 2º, CF/88).
A
hipótese aqui permitida bem se diferencia da previsão contida no art.
22, I, da CF/88 quanto à competência privativa e monopolística da União
para legislar sobre direito processual.
Processo
é o fenômeno global que serve de instrumento, mediante contraditório,
à realização do direito. Já procedimento é o modo pelo qual os
diversos atos se relacionam na série constitutiva de um processo.
O
referido projeto de lei estadual, à semelhança da Lei federal n.º
10.173/2001, respeita o princípio da isonomia, uma vez que a previsão
constitucional (art. 5º, caput)
não significa igualdade linear e absoluta de tratamento perante a lei. Em
verdade, o que resta proibido são diferenciações arbitrárias,
desprovidas de embasamento fático, assim como a concessão de privilégios
individualizados.
À
vista do traço desigualador que é a violência ocorrida no seio
familiar, procura-se atribuir um específico tratamento jurídico em função
da desigualdade afirmada. A partir dos dados crescentes de violência doméstica
na sociedade maranhense, da situação de extrema fragilidade da mulher
que denuncia seu agressor (e, após, vê-se obrigada a retornar para casa)
e dos baixos números de denúncias oficializadas perante o Poder Público,
entende-se que estão presentes os requisitos autorizadores do discrímen
proposto na celeridade de tramitação dos procedimentos judiciais que
busquem a punição dos agressores.
Desse
modo, assim como a prioridade concedida pela Lei federal n.º 10.173/2001
aos idosos com mais de 65 anos, a preferência que o projeto de lei
estadual procura conceder às mulheres vítimas de violência doméstica
diz respeito à realização de atos e diligências necessários ao
andamento do feito, devendo as audiências ser designadas com interstícios
menores do que nos demais processos, os ofícios, requisições, mandados
e intimações expedidos e cumpridos com preferência, os recursos
distribuídos mais rapidamente, etc, atenuando-se os efeitos maléficos do
tempo.
Inegável,
portanto, a importância do projeto de lei estadual apresentado à Assembléia
Legislativa maranhense que visa conferir celeridade aos procedimentos em
matéria processual quando envolvidas mulheres vítimas de violência doméstica.
Posto isso, resta a expectativa de sua votação e aprovação e de que o
Poder Executivo o sancione rapidamente.
Entrevista
(textos
originais)
- publicada no Jornal
AGORA, em 05 de março 2001 -
P
- A sra. sempre militou na oposição, ligada à Igreja. No período da
ditadura militar essa dobradinha rendeu bons frutos. A Igreja maranhense
hoje parece que fez a opção preferencial pelo conservadorismo. Essa
dobradinha ainda rende bons frutos?
R - Em primeiro lugar,
eu me permito fazer um pequeno reparo:
pela força sacramental do Batismo, eu sou Igreja, eu me
considero Igreja, apesar de minhas muitas limitações.
Há uma profunda diferença entre “ o ser Igreja” e “ligada
à Igreja”. Dentre minhas
opções, ressalto a de abraçar, consciente e prazerosamente, o mistério
de minha fé, que é viva, encarnada e numa dimensão profética.
Adquiri essa consciência através do próprio magistério da
Igreja, que vem da Palavra à sua Doutrina Social, que me interpelam e
me impelem a um agir no mundo, inclusive no mundo da política,
numa dimensão de serviço.
Nada mais que isso. No
período da ditadura militar, a Igreja Católica e outras Igrejas Cristãs
foram o grande espaço de reflexão e
de denúncia das terríveis e monstruosas situações de injustiça
e violência, materializadas através das torturas até a morte e de
acolhimento de muitos militantes.
Hoje, como ontem, é o mesmo espaço e voz contra as injustiças
sociais, a corrupção e a violência dos detentores de qualquer poder
iníquo. Basta um
olhar sobre o que fazem a Conferência Nacional dos bispos do Brasil –
CNBB, a Comissão Pastoral da Terra – CPT, as Comunidades Eclesiais de
Base – CEB’s, as Comissões de Justiça e Paz, as demais Pastorais
Sociais em seu conjunto (Pastoral
da Mulher, Pastoral da Juventude, Animação Cristã no Meio Rural etc.)
e tantos e tantos leigos e leigas, religiosos e religiosas que, no exercício
de sua missão profética, continuam essa grande caminhada de libertação
dos mais oprimidos que, no Maranhão, se manifestam através de
fisionomias sofridas, mas também nos números reveladores dos terríveis
índices sociais de miséria, de fome, de desemprego, de analfabetismo,
de doenças, de afrontosa corrupção ...
Não vejo, portanto, dobradinhas bem ou mal sucedidas.
Sei, no entanto, de algumas experiências – ou tentativas -
de manipulação, que a história já tem repudiado e vai
repudiar muito mais.
P
- Como vereadora, a sra. exerceu ativa fiscalização aos
governos de Fernando Henrique Cardoso e Jackson Lago. Por que a
governadora Roseana Sarney não mereceu idêntico tratamento?
R
- Há um grande equívoco na formulação da pergunta ou desconhecimento
quanto ao meu agir na Câmara de Vereadores.
Vamos aos exemplos: Denunciei
da tribuna e em nosso jornalzinho “ESSA
LUTA VALE A PENA” todas as mazelas do grupo que domina nosso Estado a
partir de 1966. Sublinho
até a coluna “...
E O MARANHÃO, COMO VAI”? Agora,
é bom que se destaque que a minha tarefa precípua era fiscalizar o
Poder Executivo municipal e elaborar leis, além de fazer daquele
Plenário um lugar de debates dos muitos e
grandes problemas que a população
ludovicense enfrenta.
E esses problemas tinham e ainda têm tudo a ver com a prática
administrativa do prefeito.
Mesmo assim, sobrou-me tempo para sacudir, naquela Casa, temas
como insegurança pública; violência
contra professores, através de policiais armados e cavalos; crime
organizado e suas raízes; escândalos
da Lagoa da Jansen e Usimar; corrupção;
aliança PFL x
PDT; privatização do BEM
etc.
Como deputada, tenho continuado no mesmo ritmo.
Não faço oposição com o simples gritar de chavões e/ou de
“palavra de ordem”. Prefiro
fazer oposição com consistência, com lutas concretas, embates com o
grupo político dominante – mas com seriedade, respeito e profundidade
nos temas que abordo.
P
- Sua recente candidatura a prefeita não obteve o apoio integral do PT.
Como a sra. explica isso?
R - Seria melhor a
pergunta ser dirigida a quem não apoiou
aquela candidatura.
P - As denúncias
de nepotismo do prefeito Jackson Lago, feitas pela sra., foram parar na
Justiça? Em que pé estão?
R
- Fizemos denúncias fortes
e corretas no horário de propaganda eleitoral, que foram objeto de
cerca de 20 representações da coligação Frente Ampla, contra nossa
candidatura, com pedido de direito de resposta
- todas elas, no entanto, foram
rejeitadas pela Justiça Eleitoral,
prevalecendo, assim, a veracidade dos fatos denunciados.
Além disso, demos entrada, eu e o candidato a vice, professor
Paulo Rios, em 29 de agosto do ano passado, em uma Representação, na
Curadoria Especial de Defesa do Patrimônio Público, que deu origem ao
Inquérito Civil nº009/2000, em tramitação.
Na referida peça inicial, foram apontadas as seguintes
irregularidades: contratação
de parentes do prefeito (nepotismo);
contratação da empresa Oftalmo-Center (do então vereador e líder
do governo, dr. Thadeu Palácio), para prestar serviços ao Município;
e a contratação, com dispensa de licitação, do SERAMA (Serviços
Radiológicos do Maranhão), do dr. José Luís Teixeira do Lago Neto,
irmão do prefeito. Tramita,
também, Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, na Justiça
Eleitoral, 2ª Zona, objetivando a cassação do mandato do atual
prefeito e de seu vice, por abuso de poder econômico e político, no
período de campanha eleitoral (corre em segredo de justiça).
Mencionada ação, proposta por mim e pelo dr.José Antônio
Almeida, já foi contestada e já apresentamos a réplica.
P
- Como a sra. analisa a aliança de Jackson Lago( PDT) e Roseana Sarney
(PFL) ?
R - Não me incluo
entre os que se decepcionaram, pelo impacto da notícia, com o dr.
Jackson. Na Câmara, que é
o termômetro político da sociedade, já se sentia, há algum tempo,
a formação dessa aliança política.
As duas bancadas começaram a caminhar juntas, visivelmente, por
ocasião dos debates e votação do projeto de lei que dava o nome do
Padre João Mohana à
Avenida Luís Eduardo Magalhães, que a governadora havia inaugurado e
dado esse nome, ao arrepio da lei (setembro e outubro de 1999).
Depois, foi o escândalo da Usimar, quando o prefeito encaminhou
à Câmara e fez ser votado, em regime de urgência, sem uma ampla
discussão com a população, seu projeto de lei
que alterava o zoneamento, parcelamento,
ocupação e uso do solo urbano, em março de 2000, modificando,
profundamente, a vida da cidade para serem atendidos interesses econômicos,
dentre eles, o daquela indústria nociva, como assinalado na própria
mensagem, chegando ao ponto de, ferindo o direito adquirido por parte
dos moradores da Zona Residencial 10, transformá-la em Zona Industrial
- fato objeto também de denúncia
no programa eleitoral do PT, no ano passado.
Conclusivamente, Jackson e
Roseana não admitiam
perder as eleições 2000. Ele,
pelas suas ambições; ela,
pelo mesmo motivo e porque, sendo do PFL, coordenadora da campanha de
seu partido, a nível
nacional, candidata a senadora, presidente ou vice,
não quis correr o risco de perder.
Ficava muito feio...
P
- A população põe hoje os políticos do governo e da oposição no
mesmo saco. Quem está errado: os políticos ou a população?
R - Ambos,
porque há exceções.
Ainda encontro políticos sérios, pessoas corretas, inclusive no
trato da coisa pública. Mas, há um detalhe:
é bem pequeno o número desses.
Por isso, é preciso
que haja uma reação, passando por uma nova educação, que muito poderá
contribuir para a formação de uma nova cultura que leve a outra prática
política. Mas, para tanto, é preciso que surjam líderes,
modelos diferentes, que coloquem a ética acima do interesse
individualista e do sucesso
pessoal.
P
- A Assembléia Legislativa tem hoje a atuação que a população
espera ou tem a atuação que o governo do Estado deseja?
R - A
maior parte da
Assembléia Legislativa do Maranhão é omissa e indiferente quanto aos
interesses maiores da população, isto é, no que diz respeito à raiz
das questões. É,
porém, subalterna,
submissa, às ordens
do governo. Não tem
liberdade, não tem
independência.
P
- Seis políticos que assinaram a proposta de CPI do BEM estão
retirando o apoio dado inicialmente. O que a sra. tem a dizer sobre
isso?
R - As razões expostas
no item anterior respondem
a essa pergunta.
P
- Em recente conversa com jornalistas, a governadora Roseana Sarney,
sobre os escândalos da fábrica de confecções em Rosário, da estrada
Arame-Paulo Ramos e da Usimar, respondeu o seguinte: “Toda vez que me
perguntam sobre isso, eu respondo: só três?”.
O que a sra. diria sobre essa declaração?
R - É triste e muito
lamentável a forma simplista da
senhora governadora encarar tais fatos,
sobretudo porque essas
realidades vêm envolvidas em corrupção.
P
- Primeiro, a sra. teve a tragédia que envolveu o seu marido, o juiz
Ribamar Heluy. Com a CPI, o seu filho, juiz Ribamar Heluy Júnior, teve
o nome envolvido com conhecidos nomes do crime organizado no Maranhão.
Numa cidade provinciana como São Luís, isso não arrefece sua postura
de oposição?
R - São duas situações
e circunstâncias bem distintas, embora
ligadas pelos mesmos laços afetivos. A
primeira, uma tragédia que se abateu sobre duas pessoas e, conseqüentemente,
sobre duas famílias, sem um
motivo no plano consciente, em razão de um distúrbio neurológico,
fartamente explicado na Medicina Legal e na Psiquiatria Forense -
fato este que aceitamos com muita humildade e respeito, tanto aos
familiares da vítima como à
sociedade, e que já é bastante conhecido e publicizado, até
porque Heluy já foi julgado pelo Tribunal do Júri, diante de
toda a comunidade e enfrentando uma acusação implacável, que não se
conformou com a decisão, havendo, por isso, dela recorrido.
A 1ª Câmara Criminal, à unanimidade, manteve o veredito do Júri,
que o considerou inimputável.
Quanto ao meu filho, foi a forma mais imediata que encontraram para
desqualificar minha atuação como militante em defesa dos direitos
humanos e como parlamentar. Quiseram
me intimidar, calar a minha boca, pela ousadia
em denunciar as mazelas e os desmandos que o meu Estado tem
vivido, ao longo desses trinta e cinco anos, pela ousadia de proferir,
na Câmara Municipal, discurso sobre a raiz do crime organizado, no
Maranhão. Mas,
vou esperar o tempo todo de minha vida para que, um dia, eu veja
e ouça os órgãos
competentes (e competentes em todos os sentidos) proclamarem em que
circunstâncias e atendendo a que interesses foi incluído,
maldosamente, o seu nome nesse lodaçal imundo que toma conta do Maranhão.
Porque eu sei e muitos sabem também.
Por tudo isso, permaneço na mesma luta, com os mesmos compromissos,
defendendo os mesmos valores e princípios porque ser oposição, neste
contexto, não é apenas uma postura circunstancial ou de conveniência
pessoal. É algo
muito maior e bem mais amplo, é uma prática fruto de uma opção de
vida. Muita gente não
gosta disso, nem entende e insiste em me fazer ou ver refém de fatos
alheios a minha conduta pessoal, como no caso da inclusão do juiz Heluy
Júnior nas CPI’s do Crime Organizado e do Narcotráfico, absurdamente
mentirosa.
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