1º Semestre de 2001 2º Semestre de 2001 Março de 2002
 
É só você querer...
Maranhão terá Dia Estadual
da Reforma Agrária
Campos da Baixada
Uma luta que se 
arrasta e ameaça a vida


"Então não é um parlamento democrático, porque não é formado de parlamentares livres e independentes"
•••
"Eu tenho sempre a preocupação de manter vivo aquele eixo fundamental que apresenta três vertentes: a transparência. a participação popular e a inversão de prioridades".

ENTREVISTA 

 


 
É só você querer...

Oúltimo programa eleitoral do PT, na televisão brasileira, lançou uma música de campanha com o sugestivo refrão: "é só você querer...", que nos faz lembrar o sonho de construção de um Brasil bem diferente deste em que nós vivemos hoje, marcado pela desemprego, salários aviltantes, fome, analfabetismo, exclusão social, discriminação, miséria, corrupção, violência - enfim, mergulhado na mais profunda crise social e moral.

O Maranhão não é nada diferente. Vive oprimido por uma forte oligarquia de quase quarenta anos, comandada pelo ex-presidente José Sarney, tão poderosa que nem as sucessivas denúncias, envolvendo muitas centenas de milhões de reais, eram capazes de diminuir o mando desse grupo. Escândalos como o do Banco do Estado (BEM), R$ 333 milhões; o do Projeto Salangô, R$ 68 milhões; o da inexistente estrada Arame/Paulo Ramos, pela qual foi paga a quantia de R$ 33 milhões; o do Programa Comunidade Viva, cujas cifras ultrapassam os limites dos escândalos até hoje conhecidos; além das mais recentes, destacando-se os 44 milhões da SUDAM para a implantação da USIMAR, tudo isso culminando com a inexplicada e injustificada quantia de R$ 1.340 milhão, apreendida pela Polícia Federal, na LUNUS, empresa de propriedade da ex-governadora Roseana Sarney e de seu marido Jorge Murad, dedicada à consultoria, "lobby" e espionagem, no dizer da revista Isto É. Este é o retrato do Maranhão.

Somente estes dois últimos fatos, que ocuparam a grande imprensa nacional, foram suficientes para abortar a candidatura da ex-governadora à Presidência da República. Imaginemos que resultados poderão advir, quando tudo quanto já foi denunciado chegar a ser investigado e julgado!... Agora, todos entendem porque é proibido CPI sobre notícias de corrupção, no Maranhão.

Por certo, não será nenhum milagre que irá modificar essa terrível realidade e nenhum "Sassá Mutema" irá surgir como "salvador da pátria" ou de nosso querido Maranhão. Mas é só você querer, é só cada eleitor e cada eleitora desejarem essa mudança, ela poderá acontecer pela força do voto consciente e livre nas eleições que se avizinham, sufragando candidatos comprometidos, existencialmente, com a construção de uma realidade político-administrativa diferente, calcada em princípios indeclináveis, como transparência, participação popular e inversão de prioridades, capazes de conduzir à verdadeira ética, justiça social e probidade administrativa.

Também é muito importante que o eleitor e a eleitora não esqueçam a necessidade de serem eleitas bancadas federais e estaduais expressivas capazes de contribuir para que os poderes legislativos cumpram, realmente, o seu papel fiscalizador dos atos dos executivos, como legítimos representantes do povo.

Isso e muito mais ainda, é só você querer, porque ESSA LUTA Vale a Pena.

Dia Estadual da Reforma Agrária

A Assembléia Legislativa do Maranhão aprovou Projeto de Lei de autoria da deputada Helena Barros Heluy (PT) que institui o Dia Estadual de Luta pela Reforma Agrária e Contra a Violência no Campo, a ser comemorado, anualmente, em 17 de abril. Essa data marcou a vida de todos os que lutam em defesa da reforma agrária, quando, em 1996, em Eldorado dos Carajás – PA, 19 trabalhadores sem terra tombaram, vítimas das balas da Polícia Militar do Estado do Pará. Desses, 11 eram maranhenses saídos de seu Estado, em busca de terra e trabalho; 62 pessoas ficaram feridas.

Nada mais justo que manter vivo, na nossa lembrança, esse massacre, reforçando a importância de lutar por terra, trabalho e justiça.

De acordo com o projeto de lei, que será enviado ao governador do Estado para sancioná-lo, o Poder Executivo promoverá um programa sobre conscientização da reforma agrária e combate à violência no campo, envolvendo a participação de entidades de trabalhadores rurais e de instituições universitárias.

A agricultura camponesa e a Cpt

* Flávio Lazarin

Como estão os lavradores e as lavradoras do Maranhão nestes últimos anos?

A primeira resposta possível, em nível econômico, é que a situação está pior, porque, com efeito, continua a fome de sempre, "temperada", hoje, pelas epidemias de dengue e malária e pela inadimplência dos assentados. A CPT não aprecia o estilo denuncista do "quanto pior, tanto melhor", mas é inevitável a constatação da programática irresponsabilidade dos governos com relação aos camponeses do País e do Estado. Usaria o adjetivo "programática" analisando, especificamente, a farsa das políticas públicas agrárias e agrícolas do Governo do Estado e dos Governos Municipais do Maranhão, porque é programada a ineficiência dolosa, corroborada pelo esquema das empreiteiras (COESA e OAS), pelos esquemas de apadrinhamento das comunidades, através da rede de políticos da base de sustentação da oligarquia Sarney, por roubos e desvios de todo tipo.

Deveríamos, porém, acrescentar o adjetivo "constitutivas" para definir as políticas compensatórias planejadas pelo Governo Federal e pelo Governo do Estado. É notória a percentagem mínima destinada à agricultura dentro dos orçamentos da União e do Estado, como é notório que o orçado não é efetivamente gasto, por entraves burocráticos ou para suprir a despesa, a única verdadeiramente prioritária, com a dívida externa federal e estadual. No âmbito da economia imperial do FMI, das grandes transnacionais e do nosso obedientíssimo Governo Federal, a agricultura camponesa é um capítulo perdido da economia e um novo capítulo das políticas de controle social das massas excluídas.

Política trágica, que, através das linhas de crédito e de financiamento, usou lavradores e lavradoras como cobaias em projetos agrários e agrícolas insanos e os deixou como únicos responsáveis pelas dívidas com os bancos. Vejam o que aconteceu e está acontecendo com a Cédula-Banco da Terra, o exemplo mais evidente, mas não o mais vultoso, do custo impagável das esmolas governamentais para os camponeses.

Deve-se dizer, também, que esta política hipermoderna do modelo econômico vigente obriga os sindicatos e as próprias associações camponesas a se transformarem em responsáveis e gerentes das chamadas políticas públicas, corrompendo organizações que nasceram para serem ferramentas do controle político das administrações e expressão da vitalidade e das lutas da sociedade civil, obrigando-as a mediações de retaguarda. Salvam-se, neste quadro, o MST e o MAB, que, porém, sobrevivem, cada vez mais, cerceados por leis que dificultam as suas lutas.

E aí está o latifúndio que cresce espantosamente ano após ano. Junto com as usinas de ferro-gusa que queimam cerca de 100.000 hectares de mata nativa, por ano, e escravizam centenas de famílias de lavradores nos fornos de produção do carvão vegetal. Junto com o trabalho escravo, que não é – seria míope escandalismo - a exceção, mas, ao contrário, a nova norma de condução das relações trabalhistas planetárias.

E vem aí a ALCA, para tentar fechar, com chave de ouro, este processo de liquidação da agricultura camponesa.


          DIA MUNDIAL DO TRABALHO          

Que dizer dos outros dias?

O dia 1° é comemorado como o Dia Mundial do Trabalho. Uma decisão do Congresso de Operários, realizado, em 1886, na França, numa referência a uma grande manifestação de trabalhadores, em Chicago - Estados Unidos, que protestava contra a longa jornada de trabalho. A repressão policial deixou feridos e mortos. Um dia de luto e de luta. Os governos capitalistas, numa tentativa de neutralizar o sentido histórico desse dia, decretaram o dia 1º de maio, como feriado nacional, e organizaram desfiles, jogos e festivais. "Mas as organizações sindicais de vários países passaram a defender que o 1º de maio fosse lembrado como o marco da luta dos trabalhadores pelo direito a uma vida digna, que levasse em conta o trabalho, o descanso e o lazer". (CUT-MA).
Vamos ver como representantes de alguns segmentos da sociedade avaliam a verdadeira situação dos trabalhadores nos dias atuais.

A segunda resposta possível à pergunta inicial é fruto de uma abordagem que vê lavradores e lavradoras não na perspectiva daquilo que não têm ou lhe é sistematicamente negado ou tirado, mas, ao contrário, na perspectiva daquilo que eles têm. Não se dá na ótica dos mediadores, muitas vezes tão distante e diferente da dos camponeses, mas se dá a partir das práticas e dos pensamentos daqueles e daquelas que são protagonistas da luta pela vida e pela sobrevivência.

Se ainda estamos acostumados a medir o nível das lutas populares através da estatística da presença e do crescimento dos movimentos populares, dentro do arcabouço das organizações sindicais e partidárias, deveríamos dizer que estamos numa estação avara em mobilizações significativas, sobretudo se a confrontarmos com as lutas das décadas passadas.

Será que é mesmo assim?

Será que a "movimentação" popular acabou?

Colocando-nos à escuta dos lavradores e das lavradoras, tentando tirar o véu do silêncio, que sempre foi uma arma de resistência dos pobres, talvez, possamos descobrir que existem sementes escondidas do novo.

A primeira semente é, com certeza, a inexplicável e teimosa resistência dos caboclos na terra, apesar de tudo. Apesar dos "carnavais de branco", dos projetos furados, da burocracia associativa, das manipulações, das cooptações e dos "pecados dos pobres". A pesar da ciranda de ilusões e desencantamentos. Quantas vezes disseram que os Teneteharas do Maranhão iam se integrar na sociedade circunstante, desaparecendo como cultura! Isto não aconteceu com eles! E não está acontecendo com os caboclos!

" De modo geral, a avaliação hoje não é nada boa. Os trabalhadores têm sofrido muitos golpes, e o principal se deu com a retirada do artigo 618 da CLT, que retira benefícios históricos da classe trabalhadora construídos ao longo dos últimos cem anos. Isto é muito ruim. Nós, trabalhadores, estamos muito decepcionados com o governo Fernando Henrique, que foi o principal interlocutor nesse processo. Inclusive o 1º de maio é uma data histórica que marca a luta da classe trabalhadora. Esses benefícios da CLT foram construídos ao longo dos últimos cem anos, para o presidente, com uma canetada, eliminar todos esses benefícios dos trabalhadores. Neste momento, não podemos dizer que a situação está boa."

RAIMUNDO MONTEIRO, Presidente da Central Única dos Trabalhadores.

"Avaliamos que a presença da mulher no mercado de trabalho, a partir da década de 70, tem se constituído um contingente expressivo nos mais diversos setores da economia. Com esse avanço, ocorreu também maior qualificação. Em contraposição, nesse segmento formal, ainda encontramos certos guetos que são exatamente aqueles de menor valorização. Outro aspecto ainda permanente é a diferença salarial entre homens e mulheres para as mesmas capacidades técnicas. A década de 90 foi extremamente perversa porque o encolhimento do mercado de trabalho obrigou principalmente mulheres a recorrerem a mercados informais, sem nenhuma garantia ou cobertura. Um grande passo é a mudança na compreensão sobre o trabalho doméstico que passa a ser percebido como trabalho".

IEDA BATISTA, Fórum Estadual de Mulheres Maranhense

"A avaliação que fazemos da pessoa portadora de deficiências frente ao mercado de trabalho, hoje, é, até certo ponto, positiva. Antes, o acesso ao trabalho era totalmente impedido, sobretudo pelo preconceito e falta de reconhecimento das capacidades desses indivíduos. Por essas mesmas razões, ainda hoje, enfrentamos a falta de qualificação, apesar da existência e exigências de legislações. Com o amparo legal, sobretudo da DRT , que através da Divisão de Combate à Discriminação no Trabalho e do Ministério Público, já temos empresas que contratam, mas algumas, não efetivam os funcionários. Ficam como estagiários ou em outras situações onde as garantias são mínimas. Mas, hoje, já temos a quem recorrer, a quem pressionar".

DYLSON BESSA JR. – Forum das Pessoas Portadoras de Patologias e Deficiências

"Duas questões precisam ser avaliadas na relação da pessoa negra e o mundo do trabalho. Uma é quanto ao próprio acesso ao trabalho motivado pela dificuldade relacionada ao processo educacional. A uma população sem a capacitação escolar básica e sem a capacitação profissional, somada à própria escassez de trabalho, sempre ficam reservados os piores cargos. A outra questão, também até inclusa na primeira, é que temos uma legislação que permite que o critério da boa aparência prevaleça. Não podemos esquecer também que mesmo quando se efetiva o acesso ao trabalho, há as desigualdades nas relações de trabalho e de remuneração". 

GILSON LEITE, Grupo Consciência Negra – Maranhão.

"A avaliação que fazemos da situação dos servidores públicos é uma avaliação muito negativa, pois temos observado uma verdadeira situação de desrespeito a seus direitos, tanto na esfera estadual como na esfera federal. No país inteiro, com raríssimas exceções, o que se verifica é que há cerca de 7 anos, o funcionalismo não tem tido reajuste salarial. O governo federal não se digna a assinar acordo firmado após intensa greve e mobilizações, no ano passado, o que já nos leva a pensar na possibilidade de paralisarmos as atividades, mais uma vez. Como computar vitórias se são tão poucas...".

JÚLIA NOGUEIRA, Coordenação Estadual dos Trabalhadores no Serviço Público.


Entrevista

Helena Barros Heluy, advogada, sempre dedicada à defesa dos menos favorecidos, especialista em Direito Penal, é professora da UFMA, procuradora de justiça aposentada, fundadora e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luís.
Líder do PT na Assembléia Legislativa, Helena assumiu o mandato em 2000, com a eleição
do prefeito Jomar Fernandes para Imperatriz - MA, e se coloca como candidata à convenção do seu partido para concorrer, novamente, a uma vaga na Assembléia Legislativa.
Nesta entrevista, a deputada falou da conjuntura política, de como os cidadãos e cidadãs podem intervir no momento atual, de suas atividades e seu modo de fazer política.

P – Que avaliação a senhora faz do momento político atual?

R – Estamos vivendo, aqui no Maranhão e em termos de Brasil, um momento muito sério, muito grave, mas também, extremamente importante, que, na nossa avaliação, é um instante que se os movimentos populares, os mais diversos segmentos organizados tiverem a compreensão de sua responsabilidade histórica, nós vamos ter a grande oportunidade de fazer virar, de uma vez mesmo, toda essa estrutura de poder que está instalada secularmente em nosso país e porque não dizer que está instalada há mais de 35 anos, aqui no Maranhão.

P –Como deputada, qual a sua compreensão sobre o comportamento do parlamento, sobretudo o do Maranhão, diante desse momento?

R – Vamos nos ater apenas à Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão e aos 18 deputados federais que representam o Maranhão, na Câmara Federal. Dos 42 deputados estaduais, temos apenas seis integrando o bloco de oposição. Que significa isso? É que, na maioria das vezes, todos os seus pleitos, os seus requerimentos, as suas propostas são rejeitadas por todo um "superpoder", formado pelo chamado bloco que dá sustentação ao governo do Estado, quer seja o governo de Roseana, quer seja agora de José Reinaldo. Então, não é um parlamento democrático, porque não é formado de parlamentares livres e independentes. E isto fica muito a desejar. A nível federal, dos 18 deputados federais, podemos tirar apenas dois que sempre votam em defesa da classe trabalhadora, em defesa das camadas oprimidas.

P – E quanto ao modo de Helena fazer política, o que dizer?

R – Eu tenho sempre a preocupação, como todos aqueles que têm um mandato do Partido dos Trabalhadores, de manter vivo aquele eixo fundamental que apresenta três vertentes. A primeira delas é a transparência. Mesmo no Legislativo, é importante até demais a transparência. O outro ponto é a participação popular. Nós não temos nenhuma iniciativa apresentada na Assembléia que não seja fruto de uma discussão, com setores da sociedade, com a assessoria, segmentos organizados, sindicatos, CUT, MST e Pastorais Sociais. O outro segmento deste eixo importante, que é característica do PT, é a inversão de prioridades, o que é importante para a gente do Maranhão ter discutido, ter apresentado aqui na Assembléia Legislativa. Isto temos procurado fazer com muita tranqüilidade, com muita emoção e porque não dizer, até mesmo, com muita garra.

P – E com relação à atuação parlamentar de Helena, às atividades na Assembléia?

R – Eu entendo que o parlamento deva ser um espaço democrático e tenho que contribuir para que haja essa democracia. Aqui, eu não tenho nenhum inimigo. Tenho, na minha avaliação, pessoas que divergem de minha prática política. Posso até questioná-las, criticá-las muitas das vezes, até de uma forma contundente, pelas subserviências, as vezes até servilismo, mas tenho procurado estabelecer relações de algum companheirismo maior e, nesse aspecto, isso é fundamental. A atuação de Helena se dá também na tribuna. Temos dali emitido as nossas opiniões. Quase que, diariamente, estou levando para a tribuna o sentimento do povo do Maranhão, não de uma forma abstrata, mas aquilo que é problema terrível, dramático, crucial do homem e da mulher em nosso Estado.

P – De que forma os cidadãos e cidadãs podem intervir na atual conjuntura?

R - A primeira coisa é entender a sua responsabilidade. Não basta somente votar. Não basta, no dia da eleição, digitar apenas o número dos candidatos. É preciso acompanhar permanentemente a atuação dos eleitos e saber o fazem na Assembléia, ou na administração, ou mesmo na Câmara Federal, ou no Senado. Mas a mensagem que apresento de forma bem marcante mesmo é a necessidade de acompanhar o mandato. Ver o que ocorre dentro de uma Assembléia. Como funciona, criticar, sugerir, apresentar sugestões de projetos de lei, indicações, fazer uso de todos os instrumentos que estejam ao alcance do parlamentar, desde que o faça de forma extremamente sintonizada com o sentimento coletivo.

P – Recentemente a senhora representou contra a atitude do governador José Reinaldo, com relação à nomeação do ex - gerente de Planejamento, Jorge Murad, para a Gerência Extraordinária de Ciencia e Tecnologia. O que você espera do Ministério Público?

R – Eu espero que o Ministério Público que, cada vez mais, toma consciência de suas grandes responsabilidades, vá fundo também nessa questão, porque é o tipo da questão que não precisa nem examinar a prova testemunhal. Não precisa ouvir ninguém.. A prova emerge da própria legislação. Não existe esse cargo. O doutor Jorge Murad foi nomeado para um cargo inexistente e até agora, nem em termos assim de querer fazer uma justificativa ou até mesmo em termos de defesa, não foi apresentado um só elemento que enverede pelo caminho de mostrar que o cargo existe. Não existe o cargo. Isto é uma aberração, um escândalo. Um dos maiores escândalos dentro deste conjunto de escândalos aqui no Maranhão, na época atual.

P – E sobre Helena, sua vida e seus projetos políticos?

R – A vida é exatamente isto: o fazer político, um trabalho sempre a mais. Mas este fazer político independe de estar ou não exercendo um mandato. É inerente e nós trabalhamos isso ao longo da vida, não só no campo profissional, como em casa, junto com a família. Eu entendo o exercício de um mandato como um momento a mais. É um algo mais na nossa vida e que deve ser sempre desempenhado, excecutado, numa dimensão de serviço. Na nossa avaliação, temos que pensar constantemente, ou repensar o poder. Que poder nós queremos construir? Na minha avaliação, é um poder extremamente popular, através da participação, da discussão, do debate e do sentimento maior da gente. Nós temos que tirar da cabeça do povo, mesmo, que quem detém um mandato é um robô, é uma máquina. È gente com sentimentos, com emoções, com os problemas também. Eu não sei se é sorte ou privilégio, mas eu enfrento, no dia-a-dia, o que qualquer um enfrenta.

 

Campos da Baixada

Uma luta que se arrasta e ameaça a vida

A população da Baixada Ocidental maranhense enfrenta, desde o início da década de 90, situação conflituosa das mais graves, já tendo, inclusive, ocorrido mortes violentas, decorrente da criação extensiva de gado bubalino, nos campos naturais. Essa situação, que esteve mais calma nos últimos anos, retorna acrescida de conseqüências provavelmente mais difíceis de serem resolvidas: a saúde da população está ameaçada.

Laudo resultante de estudos feitos por profissionais da UEMA, atestou que a grande maioria das amostras de peixes utilizados comercialmente, obtidos nas feiras dos municípios de São Bento, Pinheiro e São Vicente de Ferrer, apresentaram vários vermes na cavidade abdominal. O peixe de água doce é consumido, em larga escala, pelos habitantes da região e constitui-se a base de sustentação de numerosas famílias.

O laudo conclui que "os animais criados de forma extensiva, especialmente os suínos e os bovinos, são uma ameaça à saúde pública, pois, além de poderem veicular outras enfermidades, podem servir de hospedeiros intermediários de parasitoses".

Os técnicos verificaram e relataram grande quantidade de lixo às margens dos lagos dos três municípios estudados, sendo que, em São Bento, foi constatada até a presença de lixo hospitalar nesses locais.

Estudo semelhante foi realizado pelo Laboratório de Patologia Clínica, cujo laudo, assinado pela dra. Clotilde Oliveira Martins, detectou que os peixes da Baixada estavam contaminados por helmintos e protozoários.

PREOCUPAÇÃO EM CAJARI

Em recente reunião no povoado de Ladeira, município de Cajari, atendendo a convite do representante da CPT na região da Baixada, a deputada Helena testemunhou a preocupação e queixas de moradores daquele município pela criação de gado bubalino nos campos e lagos naturais. Segundo os relatos dos presentes, essa situação se repete nos outros municípios daquela região.

A deputada falou sobre a questão legal no processo de criação dos búfalos, nos campos da Baixada, expressa na própria Constituição Estadual. Ela considera justa a preocupação e a luta dos homens e mulheres com o meio ambiente e a terra onde vivem e criam seus filhos, e se colocou à disposição dos participantes para apoiá-los nessa luta, onde for possível a atuação de uma parlamentar. Helena disse acreditar que faltam ação e determinação política para resolver a questão, mas acredita que a força, o poder e a determinação do Ministério Público serão fundamentais para a solução do problema.


EXPEDIENTE

Informativo do Gabinete da deputada estadual Helena Barros Heluy, do Partido dos Trabalhadores - PT

Endereço do Gabinete:

Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão
Rua do Egito, 144 - Centro CEP: 65010-200
São Luís – MA

Endereço para Correspondência:

Av. do Vale, nº 09 – Edifício Carrara, salas 117/118
Renascença II – São Luís - MA

E-mail: helena@al.ma.gov.br
helena.heluy@elo.com.br

Jornalista Responsável: Beatriz Carvalho – DRT 794
Colaboração:
Assessoria de Gabinete
Home Page:
www.elo.com.br/~helena